Feira de Troca

Quando pensamos em obter alguma coisa, a primeira forma que nos vem à cabeça é através da compra. Porém, a compra pressupõe moeda, que pressupõe trabalho, que pressupõe tempo gasto. Do outro lado, o objeto está inserido no jogo obscuro do mercado e subjetivo do desejo. E se olharmos ainda para a produção, veremos um sujeito guloso chamado lucro, se alimentando de trabalho escravo, guerras e desperdício. Todos esses fatores caracterizam o ciclo normal que liga produção e consumo através do dinheiro.

Mas e se, de repente, percebendo a riqueza que já está a nossa volta, resolvêssemos mudar a forma de obter os produtos de que precisamos? Uma vida simples é uma vida com menos preocupações. Então, por que temos que trabalhar tanto e ainda se endividar até o pescoço? O consumidor possui tanto poder quanto quem produz, pois, afinal, aquele ciclo depende de ambos. E também está na mão do consumidor escolher buscar nesse mercado maluco e enganador o que ele precisa ou em outro lugar, assim como usar ou não dinheiro, ter que trabalhar mais ou menos.

É com essa vontade de simplificar as coisas, ter mais tempo livre e evitar se afogar em lixo que uma feira de trocas aparece. A riqueza de que falava acima é justamente os objetos e conhecimentos que viemos acumulando durante nossa vida, até esse ponto. Daqui pra frente, podemos começar a trocar!

São roupas, instrumentos musicais, computadores, celulares, utensílios de cozinha, ferramentas, livros, jogos, CDs, filmes, enfeites, etc, todas coisas que possuem valor, mas que, depois de um bom tempo paradas, se transformaram, estão fora do mercado tradicional. E além de objetos, também podemos trocar serviços, desde consertos na casa até aulas e caronas. Todas essas transações dependem unicamente da conversa entre os interessados.

Muitas vezes, quando já estamos satisfeitos (e isso é possível), a feira também é um espaço para fazermos doações. Não é necessário levarmos algo de volta, tirarmos vantagem, muito menos termos lucro quando nos relacionamos com as pessoas. Pelo contrário, é muito comum que nos sintamos mais leves depois que o espaço daquele objeto, há muito empoeirado, fica livre.

É isso que o escambo cria: um novo ciclo social, que liga – sem necessidade de intermediários, patrões ou impostos – objetos e pessoas, assim como pessoas e pessoas. Ao fazer essa ponte de forma direta, podemos estabelecer novos valores para as coisas, dependendo da necessidade de cada um. O ambiente automaticamente se transforma: a competição tende a desaparecer, dando lugar à cooperação e à ajuda mútua.

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Apesar do grande calor no dia 07/12/2011, os escambos em Curitiba foram ótimos. Muitas trocas aconteceram, principalmente pela participação dos feirantes,
que estavam na mesma praça. Vários deles, inclusive, trocavam artigos seus por artigos que outros feirantes tinham deixado ali. “Não sei porquê nunca pensamos nisso antes. Tem tanta coisa dos colegas que eu acho bonito, mas sempre que eu queria eu comprava, nunca pensei em trocar”, relatou uma moça que vendia pulseiras e colares de corda.

Nesta primeira feira, instigada pelo blog Prá Escambá, encontramos pessoas que também promoviam espaços de troca em grupos de trabalho, dentro da universidade, e até em outras partes do mundo, como o Free Box na Áustria. Numa próxima versão, tentaremos nos juntar com todo esse pessoal.

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